Facetas clássicas, estendidas ou coroas?

Quando e como indicar estas restaurações anteriores.

Antes de irmos direto ao assunto, gostaria de dizer que este foi parte do conteúdo ministrado pelo Dr. Júnio em sua palestra no 41º Encontro Acadêmico de Atualização em Odontologia da UFSC, no último dia 09 de outubro. Foi um encontro muito interessante, onde este e outros tópicos importantes, como a evolução das cerâmicas, puderam ser tratados de forma clara, objetiva e ao mesmo tempo descontraída. Foi uma noite bastante agradável. Agora vamos ao que interessa.

2014.09.10 - mc_nuncamais_5

Toda restauração requer função e estética. E hoje, podemos contar com opções restauradoras totalmente livres de metal, adesivas, as quais evitam problemas desagradáveis como o “efeito guarda-chuva”. Por isso, e pelas evidências científicas existentes, a DIGITALE encabeçou um movimento chamado: “Metalocerâmica Nunca Mais”.

Mas durante uma avaliação para restauração de elementos anteriores pode surgir uma dúvida: “Qual opção escolher? Faceta clássica, estendida ou coroa?”. Vamos a alguns esclarecimentos. É preciso lembrar que a adesão somente funciona a longo prazo em ESMALTE, portanto este é um fator crucial de decisão. Pontos a serem avaliados:

  • Avançada idade do paciente (normalmente possuem dentes mais desgastados, com menos espessura de esmalte e exposição de dentina cervical).
  • Dentes tratados endodonticamente (podem ser dentes escurecidos que, para mascarar o substrato escurecido, requerem uma maior  profundidade axial do preparo, podendo expor dentina ao longo da coroa clínica).
  • Cáries / restaurações prévias (especialmente em cavidades classe III ou IV, já que a remoção destas demanda  que o preparo se estenda até encontrar uma margem sadia de esmalte).
  • Quantidade de esmalte (pequenas ilhas de dentina ou resina são permitidas, porém o esmalte deve ocupar pelo menos 80% do preparo).

Vamos exemplificar com um caso clínico. Veja esta imagem inicial de um paciente de 29 anos:

gus-digi-2

Acompanhe as características de cada elemento:

13 – Restauração classe III insatisfatória

12 – Dente escurecido pela endodontia

11 – Restaurações classe III e IV insatisfatórias

21 – Dente escurecido pela endodontia

22 – Restauração classe III insatisfatória

23 – Restauração classe III insatisfatória

Observando os preparos na imagem abaixo, veja as opções restauradoras escolhidas e entenda o porquê:

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13 – Faceta estendida: a presença de restaurações classe III insatisfatórias (tanto na mesial quanto na distal), trouxe a necessidade de se estender o preparo para que se proporcionasse uma margem em esmalte.

12 – Coroa: o dente escurecido pela presença de tratamento endodôntico fez com que fosse necessária uma maior espessura de material restaurador. Além disso, estes dentes apresentam muita fragilidade na região da câmara pulpar para melhorar o acesso ao canal radicular. Evidências mostram que em casos como estes, coroas têm uma longevidade maior em relação às facetas.

11 – Faceta estendida: os motivos são idênticos aos do elemento 13.

21 – Coroa: motivos iguais aos do elemento 12.

22 – Coroa: a restauração classe III insatisfatória na mesial se estendia muito para a face palatina, dessa forma, para que uma melhor retenção fosse obtida, optou-se pela coroa.

23 – Faceta estendida: motivos idênticos aos do elemento 13.

Nas imagens seguintes vemos as restaurações confeccionadas sobre o modelo de gesso (observe a extensão dos preparos pela face palatina no caso das facetas estendidas) e o resultado final do tratamento.

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Observar a extensão das facetas dos elementos 13, 11 e 23.

facetas_estendidas_coroas

Caso finalizado.

A durabilidade dos tratamentos depende muito deste cuidado ao selecionar qual a melhor opção restauradora. Esperamos que esta postagem possa ter sanado qualquer tipo de dúvida. Em breve, publicaremos um eBook completo com maior detalhamento do caso citado. Aguarde! Só lembrando que este caso foi executado e apresentado pelo Prof. Dr. Júnio S. Almeida e Silva, Profa. Dra. Juliana Nunes Rolla, Prof. Dr. Daniel Edelhoff, Prof. Dr. Élito Araújo e Prof. Dr. Luiz Narciso Baratieiri,  em um artigo publicado pela The American Journal of Esthetic Dentistry, em 2011. Lembramos a parceria com o técnico ceramista Wilmar Porfírio. Fica aqui um agradecimento especial a ele, que pode proporcionar a qualidade das peças restauradoras.

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E finalmente, a comparação do antes e depois!

E aí, gostaram das dicas? Fale com a gente! ;)

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